
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Manifestantes se reuniram em várias cidades brasileiras,
neste domingo (30), em atos contra a anistia aos envolvidos na tentativa de
golpe do 8 de janeiro. A maior concentração foi em São Paulo, onde os
participantes pediram punição aos participantes da depredação dos prédios da
Praça dos Três Poderes em janeiro de 2023 e ao núcleo político da tentativa
golpista, a começar pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
As manifestações foram convocadas por entidades sindicais,
como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e União Geral dos Trabalhadores
(UGT), e coletivos como a Frente Brasil Popular, a Frente Povo sem Medo, o
Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST) e o Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST).
Em São Paulo, a manifestação começou na Avenida Paulista e
seguiu pela Vila Mariana até o prédio do antigo Destacamento de Operações de
Informação - Centro de Operações de Defesa Interna (Doi-Codi), onde eram presos
e torturados os adversários da ditadura cívico-militar instaurada em 1964.
O sentido simbólico das manifestações foi o de ressaltar a
importância da defesa da democracia e lembrar como a última ditadura impedia as
vozes e os atos. Para uma das participantes do ano, Lenir Correia, a anistia
dos atos de 8 de janeiro viria como uma carta branca para futuras tentativas de
golpe: “É contra a injustiça que estamos aqui. Ele [Bolsonaro] foi uma pessoa
que agiu contra o Brasil.”
“Quebraram todo o Congresso, picharam, fizeram o que
fizeram. Trata-se de defender tudo que é público, que é nosso”, completou
Lenir. Para ela, este tipo de protesto é importante para aumentar o número de
pessoas contra a anistia e contra atos deste tipo.
Para o manifestante Sada Shimabuko, discutir anistia agora
equivale a se colocar contrário à democracia. Para Rosemeire Amadeu, que também
acompanhava a manifestação, com uma anistia é questão de tempo para que surjam
novas tentativas de golpe.
Também participante do ato, Emmanuel Nunes disse que é
importante dar apoio para que os réus sejam julgados nas vias normais, segundo
o processo legal. “Para que não haja um conflito de poderes, pois se o
Legislativo vota a anistia geraria uma crise entre poderes muito grande. Então
a gente tem que garantir que haja o julgamento, e é importante o recado das
ruas”, concluiu.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Rio de Janeiro
Na capital fluminense, o domingo foi de planfletagem e de
mobilização para o ato unificado contra a anistia que ocorrerá na terça-feira
(1º). Quem passou por pontos da cidade, como a Feira da Glória, na zona central
da cidade, pelo Museu da República, pelo Aterro do Flamengo e Praia de
Copacabana, na zona sul, por pontos do Grajaú, na zona norte da cidade,
encontrou grupos com cartazes, adesivo e panfletos.
“É uma questão que envolve pessoas de direita, pessoas de
centro, pessoas de esquerda, pessoas que defendem a democracia. Essa é uma
pauta até suprapartidária”, defendeu Sérgio Santana, que faz parte da
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia e da organização Advogadas e
Advogados Públicos para a Democracia e estava na manhã deste domingo
participando da ação em frente ao Museu da República, no bairro do Catete.
O grupo conversava com as pessoas e entregava materiais
explicativos, que defendem que os atos orquestrados e até mesmo os planos para
envenenar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são criminosos e que aqueles
que participaram de alguma forma devem ser punidos.
“Nós estamos aqui contra o golpe. Nós não queremos nem
ditadura, nem tortura nunca mais. Esse é o nosso lema”, diz Regina Toscano, que
também participou da ação e faz parte do Núcleo Resistência do PT.
Na terça-feira, ocorrerá o ato unificado no Rio de Janeiro.
Os manifestantes caminharão do edifício que abrigou o Departamento de Ordem
Política e Social (Dops) até a sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
A manifestação lembra também o aniversário do golpe de 1964
(31 de março), com o início da ditadura, e a busca ainda hoje pela preservação
da memória, por verdade e por justiça. Segundo Sérgio Santana, o golpe de 1964
e os atos golpistas estão relacionados na medida em que atentam contra o Estado
Democrático de Direito.
Vários outros atos foram registrados pelo país, porém com
menor participação do que em São Paulo. Em Brasília, a manifestação aconteceu
no Eixão Norte, altura das quadras blocos 106 e 107. Belo Horizonte, Fortaleza,
São Luís, Belém, Recife e Curitiba foram outras capitais com mobilizações
previstas para este domingo.
Guilherme Jerônymo/Mariana Tokarnia/Juliana Andrade –
Agência Brasil