
Foto: Arquivo Pessoal
O Carnaval Tradição 2025 de João Pessoa conta oficialmente
este ano, pela primeira vez, com os desfiles dos grupos de Maracatu. De acordo
com a programação, que faz parte do projeto ‘Folia em Sol Maior’, seis grupos se
apresentam na Avenida Duarte da Silveira. Neste sábado (1º), se apresentaram o
Coletivo Maracastelo e Tambores do Tempo. Já neste domingo (2), será a vez do
Batuque de Raiz, a partir das 17h. Confira a programação completa clicando no
link ao final desta matéria.
A apresentação dos grupos dura, em média, 20 minutos e
promete ser de muita animação. O diretor executivo da Funjope, Marcus Alves,
ressaltou a valorização da cultura em incluir os maracatus na programação
oficial do Carnaval Tradição. “Este ano é uma novidade muito importante para
todos nós da Prefeitura de João Pessoa a acolhida oficial dos maracatus no
Carnaval Tradição. É a primeira vez na história que a gestão municipal acolhe e
incorpora os seis maracatus de João Pessoa como parte integrante na programação
do Carnaval”, destaca.
Ele ressalta, ainda, que os grupos tiveram direito a prêmios
dentro do edital que premiava as agremiações do Carnaval Tradição. “Os
maracatus são merecedores desse tratamento. É o compromisso que a gestão do
prefeito Cícero Lucena tem com as culturas populares, de valorizar, de
estimular, de proteger a tradição e a memória da cidade de João Pessoa”, afirma
Marcus Alves.

Foto: Arquivo Pessoal
Maracastelo
O coletivo Maracatu Maracastelo desfilou neste sábado (1º), com
seu ritmo contagiante, sob a regência do apito feminino da mestre Ângela Gaeta.
“O Maracastelo marca presença no evento desde 2020 como grupo convidado, mas
este ano celebra uma conquista histórica: a inclusão oficial da categoria
maracatu no Carnaval Tradição da cidade”, comemora.
Para a edição desse ano, o grupo prestou homenagem a duas
grandes entidades do candomblé, Oxum e Iemanjá, trazendo novidades como o
lançamento de um novo figurino para batuqueiros e integrantes da corte real,
reforçando a identidade visual e a grandiosidade do espetáculo.
O grupo foi fundado em 2014, no bairro do Castelo Branco,
por Ângela Gaeta, primeira mulher a liderar um maracatu na Paraíba. “O
Maracastelo tem como guardiã da ancestralidade a Calunga, dona Edite de Iansã e
a rainha Ialorixá, mãe Lúcia Omideyn”. O grupo é apadrinhado pela tradicional
Nação Estrela Brilhante, do Recife – onde Ângela atua desde 2011 -, um dos mais
antigos maracatus do País, fundado em 1906.
A professora Jamylle Barcellos integra o grupo desde a sua
fundação. “Sou apaixonada pelo Coletivo Maracastelo e pelo maracatu e não
imagino a minha vida sem fazer parte deste projeto de vida. Me orgulho das
minhas parceiras e parceiros que resistem aos desafios de se fazer cultura e a
cada ano defendem esta expressão cultural e sua retomada na Paraíba. A
conquista que garantiu os maracatus no Carnaval Tradição é resultado de uma
caminhada de muito amor, muita entrega, muita pesquisa e muita luta”, afirmou.

Foto: Arquivo Pessoal
Tambores do Tempo
O segundo grupo do sábado (1º) no Carnaval Tradição foi o
maracatu Tambores do Tempo, que se apresentou sob a regência do percussionista
e educador Denis Ramalho. Na avenida desfilaram cerca de 60, dos 130
integrantes do grupo formado por jovens, em sua maioria, do bairro de Gramame,
Mituassu, Gervásio Maia, Irmã Dulce e Vista Alegre.
O grupo foi formado em 2013, a partir da diversidade
cultural abraçada pela Escola Viva Olho do Tempo, que desenvolve, desde 2010,
aulas de percussão, utilizando a fusão de ritmos tradicionais e regionais
brasileiros. O projeto é voltado para jovens na faixa etária de 6 aos 18 anos
de idade, alunos da rede pública local e seus familiares.
A vida e o trabalho de Denis Ramalho se misturam a história
da Escola. “Cheguei como aluno na escola aos 6 anos de idade e hoje atuo como
educador dessa meninada na regência do maracatu Tambores do Tempo. É muito
importante entender esse trabalho que a gente faz com esse grupo, essa
meninada, tocando e aprendendo. É um projeto muito bom. São muitas experiências
que influenciarão positivamente no futuro delas”.
As músicas apresentadas no Carnaval Tradição 2025 compõem o
repertório e acervo da Escola. “Músicas que retratam a salvaguarda do Rio
Gramame, da comunidade e das vivências existentes no território”, destaca. “O
figurino é inspirado na corte do maracatu tradicional, com um toque do lúdico,
que realçam o encantamento das crianças”, explica Denis Ramalho.
Para Ivanildo Santana, diretor da Escola Viva Olho do Tempo,
é muito importante a inclusão dos grupos de maracatu na programação do Carnaval
Tradição de João Pessoa. “O diálogo com a Funjope e sermos citados,
visibilizados na programação, nas redes sociais da gestão pública embasa,
credibiliza e potencializa o currículo da nossa instituição e, principalmente,
o trabalho feito através do Grupo Maracatu Tambores do Tempo”, ressalta.
No cotidiano, o grupo realiza shows, espetáculos, cortejos,
oficinas de percussão e dança através das artes integradas, acompanha blocos
carnavalescos e realiza oficinas de fabricação e construção de tambores.
“O grupo percussivo Tambores do Tempo trabalha a partir do
maracatu de baque virado, utilizando a fusão de ritmos e danças tradicionais
brasileiras como a ciranda, o coco de roda, samba, ijexá, samba reggae, toré,
afoxé e a música popular brasileira, desenvolvendo um trabalho em parceria com
griôs, mestres, grupos e artistas locais em suas apresentações”, afirmou o
educador.

Foto: Arquivo Pessoal
Batuque de Raiz
Neste domingo (2), toma conta da Avenida Duarte da Silveira
o grupo Batuque de Raiz, das 17h às 17h20. “O repertório é constituído de
toadas e loas autorais e da Nação Almirante do Forte, com letras carregadas de
história e ancestralidade, que remetem a tradição do maracatu de Baque Virado”,
explica Rominho Fernandes, coordenador do Batuque de Raiz.
O figurino, segundo ele, é predominantemente verde e branco
em alusão ao Orixá Oxóssi, o guardião do grupo, mas também remete ao verde das
matas, trazendo uma questão ambiental de preservação da natureza. “Trazemos
para as ruas o verde das matas e um baque bonito que faz folha seca voar”,
disse.
O grupo foi criado em agosto de 2022 a partir da iniciativa
de Rômulo Fernandes (Mestre) e Saul Régis (contramestre), com a participação
das batuqueiras Juliana Carneiro e Rebeca Alves. “Essa data marca o dia em que
apenas quatro batuqueiros colocaram o som do maracatu Batuque de Raiz nas ruas
de João Pessoa pela primeira vez. Foram cantadas toadas da nação Almirante do
Forte, de Recife, que apadrinhou nosso grupo”, explicou Rominho Fernandes.
Atualmente, o Batuque de Raiz conta com 30 a 40 batuqueiros
e desenvolve os trabalhos na Vila Sanhauá, no Centro Histórico. “São tão
apaixonados quanto seus fundadores, que assumiram a missão de resgatar e
difundir essa cultura do maracatu na nossa cidade. Nossa proposta é oferecer um
espaço de vivência da cultura do maracatu de maneira leve, mas fundamentada,
buscando entender a essência dessa manifestação”, ressalta o coordenador.
Maracatu no Carnaval Tradição neste domingo, dia 02 de
março:
Batuque de Raiz: das 17h às 17h20
Confira a programação completa, CLIQUE AQUI.
Ângela Costa/Cristina Cavalcante – Secom-JP