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22/02/2025

Brasil supera EUA e se torna maior exportador de algodão do mundo; Campina Grande se destaca com unidade da Embrapa



Foto: Walter Eugênio/Embrapa


O desempenho da safra 2023/2024 de algodão, com a colheita de mais de 3,7 milhões de toneladas, elevou o Brasil ao posto de maior produtor do mundo. O país também se tornou, oficialmente, e pela primeira vez na história, o maior exportador de algodão do mundo, superando os Estados Unidos. A meta era prevista para ser alcançada somente em 2030.

 

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) comemorou o resultado da safra atual, com 60% da produção totalmente comercializada.

 

“A liderança no fornecimento mundial da pluma é um marco histórico, mas não é uma meta em si, e não era prevista para tão cedo. Antes disso, trabalhamos continuadamente para aperfeiçoar nossos processos, incrementando cada dia mais a nossa qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, e, consequentemente, a eficiência”, ressaltou o presidente da Abrapa, Alexandre Schenkel.

 

Guinada

 

O presidente da Anea, Miguel Faus, lembrou que há cerca de duas décadas o Brasil era o segundo maior importador mundial. “Essa guinada se deve a muito trabalho e investimento na reconfiguração total da atividade, com pesquisa, desenvolvimento científico, profissionalismo e união. É um marco que nos enche de orgulho como produtores e como cidadãos”, afirmou.

 

A Abrapa atribui o bom desempenho dos produtores à interligação entre produtores e a indústria têxtil brasileira. Apesar de sofrer forte concorrência externa, o consumo de fios e de algodão deve subir de 750 mil toneladas para 1 milhão de toneladas por ano.

 

A própria associação criou uma rede chamada Sou de Algodão, onde produtores de roupas, universidades de moda, pesquisadores e produtores de algodão caminham juntos para desenvolver qualidade aos produtos finais. Cerca de 84% do algodão produzido no Brasil detém certificações socioambientais.

 

As exportações brasileiras se recuperaram também pela maior demanda de países como Paquistão e Bangladesh, que no ciclo anterior compraram menos devido a dificuldades financeiras para abrir cartas de créditos. Essa retomada colaborou para que as expectativas fossem superadas. "A gente achava que iria exportar inicialmente 2,4 milhões, 2,45 milhões de toneladas."

 

Entre os principais mercados do algodão brasileiro estão China, Vietnã, Bangladesh, Turquia e Paquistão.



Foto: Divulgação/Embrapa

 

Campina Grande é destaque com Embrapa Algodão

 

A Embrapa Algodão é uma das 43 Unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com sede em Campina Grande, na Paraíba, atua em todo o país, na geração de tecnologias, produtos e serviços para as culturas do algodão, mamona, amendoim, gergelim e sisal.

 

A Embrapa Algodão, em Campina Grande, desenvolve pesquisas e inovações nas áreas de melhoramento genético, controle biológico, biotecnologia, mecanização agrícola, qualidade de fibras de algodão, sanidade vegetal, entre outras.

 

A unidade conta com 189 empregados, além de estagiários, bolsistas e prestadores de serviço. Também possui em seus quadros doutores, mestres e graduados em diversas especialidades da agronomia — melhoramento vegetal, biotecnologia, solos, fitossanidade, fitotecnia e fisiologia vegetal — e de outras áreas, como biologia, engenharia agrícola, química, zootecnia, economia rural, entre outras.

 

Em Campina Grande, a Embrapa Algodão mantém área administrativa, além da infraestrutura de apoio à pesquisa, casas de vegetação e laboratórios. Para garantir ampla atuação com o setor produtivo, mantém áreas experimentais e equipe técnica em 11 estados brasileiros, em parceria com outras Unidades da Embrapa ou instituições. Além da Paraíba, a equipe da Embrapa Algodão está presente no Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Maranhão, Tocantins, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e São Paulo.

 

Marcello Antunes da Silva/Maria Claudia – Agência Brasil, com informações do site da Embrapa