Na semana passada comentava eu aqui neste espaço sobre o
estranho afastamento entre o ministro Sérgio Moro e o presidente Bolsonaro. E, também,
sobre o “desaparecimento” dele da mídia, seja ao lado do presidente – como foi
absolutamente normal em várias outras oportunidades – ou até mesmo sozinho.
Este foi o sentimento que mensurei ao analisar, aqui de
Brasília, os acontecimentos da semana, juntando com as conversas de bastidores captadas
de pessoas que tem acesso aos círculos mais íntimos dos protagonistas dessa história
que, lamentavelmente, está próximo de um fim melancólico. Pelo menos para quem
ainda tem o que perder: o próprio Moro.
Sérgio Moro deixou uma carreia estabilizada de Juiz Federal,
amado e aplaudido por onde andava Brasil afora – com exceção, claro e lógico,
dos petistas e simpatizantes maiores do ex-presidente Lula – para entrar numa ‘barca
furada’ de um governo que perde pontos na aprovação popular a cada dia e que,
ao continuar como está, ninguém sabe como vai acabar.
Entra para um Ministério com a tal ‘carta branca’ que nunca
lhe foi garantida e tem que suportar até mesmo humilhações, como as ocorridas
nos últimos quinze dias, da boca do próprio presidente, que ‘passou na cara’,
publicamente, o fato de Moro não ter estado com ele na campanha presidencial; ou
quando disse, em relação à Polícia Federal (subordinada ao Ministério de Moro),
que quem manda é ele, e não Moro, numa indelicadeza sem tamanho com quem, há até
bem pouco tempo, servia de companhia para tentar lhe melhorar a imagem – bom lembrar
que Moro foi até a partida de futebol com Bolsonaro, num momento crítico em que
o presidente precisava ‘aparecer bem’.
Para não esticar mais a corda da humilhação, amigos mais
próximos já orientam Sérgio Moro a entregar o cargo – conforme externou o site ‘O
Antagonista’ – e deixar que a nau palaciana siga seu rumo, cada vez mais
incerto e não sabido. Publicamente Moro diz que continua. Mas não é isso que
dizem os mais próximos. Aguardemos...