
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Em depoimento prestado como parte de seu acordo de delação
premiada, o tenente-coronel Mauro Cid afirmou que o ex-presidente Jair
Bolsonaro pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, a
produzir um relatório que apontasse supostas fraudes nas urnas eletrônicas
durante as eleições de 2022. O relato faz parte de vídeo da delação do
ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, cujo sigilo foi retirado nesta quinta-feira
(20/2).
Segundo Cid, os técnicos das Forças Armadas não encontraram
qualquer irregularidade no sistema de votação eletrônica, mas Bolsonaro não
queria que essa informação fosse registrada no relatório oficial. "A
conclusão dele (do general Paulo Sérgio) ia ser essa (de que não houve fraude).
Aí, o presidente estava pressionando para que ele escrevesse isso de outra
forma. Na verdade, o presidente queria que ele escrevesse que houve
fraude", revelou o ex-ajudante de ordens.
“Uma coisa que sempre falei, e está nas minhas conversas, é
que não foi encontrado fraude nas urnas, por mais que tivesse uma busca
incessante para encontrar, e que o Exército não iria apoiar nada”, disse Cid.
Durante a audiência, o ministro Alexandre de Moraes, do
Supremo Tribunal Federal (STF), questionou Cid se o então ministro da Defesa
foi "proibido" por Bolsonaro de apresentar um laudo que comprovasse a
ausência de problemas no sistema eleitoral. Em resposta, Cid confirmou: “O que
aconteceu foi exatamente isso”.
O Ministério da Defesa enviou o relatório ao Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) em novembro de 2022. Apesar das expectativas do
entorno bolsonarista, o documento não apontou falhas nas urnas, "mas também
não excluiu a possibilidade da existência de fraude ou
inconsistência".
Luto profundo
Mauro Cid afirmou que na ocasião Bolsonaro estava em luto
profundo por ter perdido as eleições de 2022. "O presidente naquele
momento estava, não vou dizer que estava em depressão, mas estava em luto
profundo. Digamos que ele não tinha muita condição”, afirmou. Segundo ele, quem
vinha falar muito no ouvido dele, ele saía mais para um lado ou para o outro,
em relação a dar um golpe de Estado ou não."
Correio Braziliense